
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
O número 2

segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Pra cima com a viga, moçada!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009
É a treva!

Não, não se trata de um post sobre o apagão que deixou mais da metade do país tateando armários e gavetas à procura da vela perdida. Nem - apesar da foto - de algum comentário sobre o bordão de Bianca, um dos personagens mais populares da novela "Caras & Bocas", vivida pela atriz Isabelle Drummond (salvo engano, a primeira menina a interpretar a Emília no "Sítio do Picapau Amarelo). O post é mesmo sobre o tempo que vivemos.
Posso estar enganado - aliás, espero mesmo estar bastante enganado -, mas há algum tempo sinto no ar um certo clima de revanche, de vingança do bastardo, da volta do trogloditismo. O caso da Menina da Minissaia foi exemplar, mas não foi o primeiro, nem único e, infelizmente, não tem pinta de ser o último. As forças conservadoras reconquistam o terreno perdido. E não estou me referindo apenas aos aspectos político-partidários. Penso no conservadorismo de comportamento, de ações, de gestos.
Alguns são até inocentes, como a volta do noivado. Aquele período que separava o namoro do casamento e servia pro futuro casal ter mais liberdades perdeu o sentido nos anos 60-70, quando se ia pra cama antes mesmo de saber com quem... O test-drive sexual funcionou muito bem e, pelo jeito, funciona até hoje. Mas a rapaziada tem organizado almoços de noivado e festas de casamento grandiosas, resgatando uma formalidade que eu acreditava extinta.
Ao avanço das conquistas sexuais de gays e lésbicas, segue-se um recrudescimento de punks e anarquistas, provocando agressões e assassinatos no rastro da última Parada Gay de São Paulo. É como se o clima de democracia e direito à expressão que marcou as conquistas homossexuais também servisse de veículo para os conservadores emitirem a sua opinião. Não haveria nada mais democrático: a convivência de opostos. Mas não é o que temos visto, apesar de um inegável avanço: hoje, não se apanha calado. Vítimas e militantes, quando atingidos, gritam e exigem providências legais - e isso é um avanço fenomenal, apesar de óbvio. Mas o fato é que veados continuam apanhando e morrendo apenas porque são veados.
Mulheres também pagam sua cota. Do ponto de vista capitalista, elas conquistaram muita coisa nos últimos 40 anos (menos igualdade de salário). Conquistaram o direito a ser mães sem a presença do pai-marido e, em nossa sociedade, o direito de ir e vir - a não ser que usem roupas provocantes demais. A única explicação que encontrei até agora para o comportamento dos estudantes da Uniban que cercaram a Menina da Minissaia foi esse xarope de conservadorismo que nos cerca.
Provavelmente, pela idade que têm, muitos desses jovens (a maioria) são filhos de mulheres que trabalham fora. Certamente têm irmãs e primas que estudam para ter uma profissão e que não conseguem, nem podem, separar trabalho e casamento: o salário de um casal é sempre mais garantido que o de um só. Ao mesmo tempo, esses meninos e homens saboreiam as mulheres-fruta, cujos apelidos por si só já indicam o caráter consumista que aplicam às fêmeas. Ninguém respeita uma jaboticaba ou uma melancia.
Da mesma maneira que invadem as ladeiras de Olinda no carnaval, beijando toda menina que passa no caminho, às vezes à força, esses meninos viram na minissaia da colega de faculdade um motivo para chacota. Assoviar, chamar de galinha e passar cantadas grosseiras virou coisa do passado. A onda é responder à altura. Por algum motivo que me escapa, eles se sentiram agredidos pelas coxas da Menina - mas aplaudiram, vejam só, as coxas famosas de Sabrina Sato, que apareceu na Uniban embrulhada num minivestido cor-de-rosa. Foi uma grande sacada do "Pânico" e revelou parte do pensamento desses meninos: as coxas da Sabrina Sato são um tesão (e são), mas a carne das 'nossas' não é pra ser exposta. É a volta triunfal da "mina pra casar".
É uma pena que nada, nem mesmo a entrada de Sabina Sato, ajude a refletir sobre o assunto. A agressão vira piada. A bicha que apanhou dos punks engole o choro. E o fato de alguém se vestir de maneira apenas inadequada rende, no máximo, uma corrida das revistas de mulher nua pelo direito às coxas da estudante. Sai a mulher melancia e entra a mulher judas.
domingo, 8 de novembro de 2009
A butique dela

sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Dona Augusta

domingo, 1 de novembro de 2009
Dia de todas as santas

quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Oração pra Santa Apolônia

O rapaz tem problemas mentais, me parece - quer dizer, no fim da história quem tem problema mental mesmo é o dentista, mas continuemos - e, por isso, recebeu anestesia geral antes da extração de dois dentes. O trabalho devia estar uma moleza, porque o chamado profissional de odontologia se entusiasmou e passou a extrair um por um os dentes do menino. Esse cara - que trabalha num hospital público e dá aula em universidade - cometeu uma amputação. Não sei se o termo médico-legal é esse, mas na prática o que aconteceu foi isso: de uma hora pra outra, um menino de Brasília se viu sem nenhum dente. É como dormir bípede e acordar sem uma perna.
A última notícia que consegui do fato dizia que o dentista seria preso e indiciado. Outra, mais cedo, dava conta que o IML de Brasília reconhecia que não havia necessidade da cirurgia radical. Alguém tinha dúvida? E o Conselho Regional de Odontologia pedia pra preservarem o nome do carniceiro. Eu, se fosse dentista, exigiria a identificação do indivíduo - até pra não acharem que ele e eu frequentamos o mesmo clube.
E hoje, nada nos jornais e sites. A história morreu ali mesmo, enquanto o rapaz se esconde em casa, com vergonha dos dentes ausentes. Não sei detalhes, realmente, mas posso concluir que o tal rapaz é pobre. Se fosse, pelo menos, classe média, teria direito a um pouco mais de indignação dos meios de comunicação. Coitado, banguelo e anônimo, sem muitas portas onde bater - a não ser naquelas que querem explorar o sensacionalismo do caso, expondo suas gengivas de maneira pornográfica nos programas de TV. Também anônimo, até agora, continua o dentista - mas vejam como são as coisas: o anonimato protege o criminoso, mas não a vítima.
Graças a tipinhos assim é que a categoria dos dentistas é tão, digamos, temida. Ninguém brinca com dentista, ninguém entra no consultório só pra dar um alô e matar as saudades. Nem na ficção dentista marca muita presença. Você lembra de algum personagem de novela que fosse dentista? Aguardo colaborações, eu não lembro.
Em cinema, teve o dentista nazista vivido pelo Lawrence Olivier em "Maratona da Morte" - a cena em que ele torturava um jovem apavorado Dustin Hoffman é um clássico. Teve o dentista do "Procurando Nemo" e aquele outro, acho que "A Pequena Loja de Horrores", algo assim. Tem o personagem do Diogo Vilela em "Toma lá, dá cá", mas aquele programa é tão ruim, que nem merece ser lembrado.
E nem vou desenvolver minha teoria de que dentistas são péssimos ouvintes. Seja amigo de um dentista e faça o teste. Ele tá tão acostumado a falar para um coitado espremido e boquiaberto que não costuma dar muito espaço para as respostas. Mas isso é uma teoria minha, não tem muita base científica. Aliás, não tem nenhuma.
Só resta mesmo acender uma vela pra Santa Apolônia, que - viva o google - descobri ser a padroeira dos dentistas. Mas daí a retratarem a santa com um boticão é de um tremendo mau gosto. Prefiro continuar achando que Santa Apolônia é apenas o nome da principal estação ferroviária de Lisboa. É bem mais agradável.
