sábado, 20 de fevereiro de 2010

Lei de Muricy


É fato conhecido dos seguidores deste blog que futebol não é a minha praia. E que o Palmeiras está a séculos-luz de minha simpatia (apesar dos bons amigos palmeirenses que tenho... bom, eu tenho até amigo que torce pra Portuguesa... mas, voltando). Apesar desse referencial que não me credencia a discutir o tal do esporte bretão, não deu pra ficar indiferente à demissão sumária do Muricy Ramalho esta semana. Cabe acrescentar que não conheço, não sou amigo nem fã do Muricy. Mas, pela primeira vez, me dei conta que o único cargo levado a ferro e fogo no Brasil é o de técnico de futebol. No resto, impera o jeitinho.

Tenta lembrar da sua última escorregada no trabalho. O chefe acabou perdoando. Deu bronca, de repente ameaçou com demissão... mas mandar embora, não mandou. Quando cometemos uma infração de trânsito e somos apanhados pelo guarda, fazemos aquele olhar de gato de botas do Shreck - quando não apelamos pra outros métodos mais convincentes - e esperamos sair ilesos da multa. A prática do "então tá" é a regra que o brasileiro mais leva a sério. Menos no futebol.

Os políticos contam com nossa falta de rancor. O governador preso de Brasília, por exemplo. Não era a primeira maracutaia em que ele aparecia, protagonista. Entretanto, a patuleia candanga compareceu às urnas e sapecou votos no Arruda. O resultado só serviu para termos o ineditismo de um governador preso em pleno exercício do mandato. Mas o emprego mesmo, ele ainda não perdeu. Só o Muricy.

E o Dunga, né? Qualquer resultado insatisfatório da Seleção e já tem nego pedindo a cabeça do Dunga. O técnico de futebol é o guardião da nossa seriedade, é o mantenedor perpétuo da nossa tolerância zero. Três derrotas e o técnico vai pro paredão e eu desconfio que até pra tirar as fotos da família da sala, ele tem alguém vigiando. Afinal, um profissional capaz de tamanha incompetência não é de confiança. E devolve o cartão do estacionamento vip!

Será que poderíamos aplicar esse rigor com quem merece? Já demos impeachment num presidente e, agora, volta e meia, tem alguém sugerindo impeachment até de síndico de prédio. Transformamos uma extirpação radical numa palmatória, como se fosse tudo simples assim.

Não estou aqui defendendo a demissão sumária de qualquer picareta que ganhe um cargo político e se mostre, no exercício do mandato, um pilantra de marca maior. Há processos, investigações, julgamentos. O que não pode é encarar essas coisas como um desfile de escola de samba, muito brilho, muito barulho, uns peitos de fora e umas bundas sacolejantes - e tudo acaba na dispersão. Até técnicos de futebol merecem um julgamento justo. Ou não? A discutir.

8 comentários:

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  2. A diferença entre eu e Muricy é que ele ganhava quinhentos mil reais por mês. Eu trocaria a "condescendência" de todos os ex-chefes por uma faca no pescoço a cada jogo, desde que ganhasse um salário desses.
    Muricy foi a contragosto para o Palmeiras, o uniforme verde nunca lhe caiu bem. Mas é um personagem interessante, é cáustico, quando estava no São Paulo suas entrevistas eram divertidas. Tomara que se saia bem em outro time.
    Agora, só estão faltando esquartejar, salgar e distribuir os pedaços do Arruda pelo eixão de Brasília. Que exagero, estão lhe negando direito a liberdade, quem queria se livrar dele estava com muita raiva mesmo, deve querer excomungá-lo até a vigésima geração. A casa do Arruda caiu, mas acho que não é bom rasgar a consituição e o código penal por causa disso.

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  3. Arruda tá sendo o boy de piranha de algum interesse escuso. Porra, é triste demais desconfiar até quando um salafrário é preso.

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  4. Mário Viana, cada dia mais surpreendente... falando de FUTEBOL! E eu que pensava que vc nem sabia distinguir um impedimento de um penâlti, olha que injustiça.
    Me penitencio!
    Agora, Mário, se todo mundo que levasse um pé na bunda e fosse execrado levasse a bolada que o Muricy levou (deve ter multa contratual também, no valor de uma meia megassena), até que dava pra consolar.
    Agora, assumindo (orgulhosamente) meu lado Gavião da FIEL,acho que técnico de porco e de bambi (que ele foi muito), tem mais é que se danar. (que me desculpem meus amigos palmeirense e são-paulinos, mas... é irresistível!)

    O Arruda é outra história. Salafrário comprovado, o povo de Brasília acredita nas lágrimas de crocodilo e reconduz a peça. Olha o que deu. Será que vão (vamos) aprender? Parece que não, tão dizendo que vai voltar o Roriz em Brasília, que tem ficha corrida idêntica.
    Quando vamos mudar essa putaria toda?
    Tá na hora, tá na hora, demorô...

    bjs

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  5. Pois é, Neusinha, eu sou um multifacetado parcial. Mas devo corrigir: em nenhum momento tive peninha do Muricy, não. Ele e Rogério Ceni são duas figurinhas que não passam pelo meu controle de qualidade...

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  6. O que seria do azul se todos gostassem do amarelo, não é? Saudações são-paulinas de uma fã do tri-campeão Muricy e do Ceni pra vc, Mário, e pra Neusinha. beijos, Fernandinha

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  7. Fernandinha!!!!! Que chique! Pena que a gente discorde do Ceni... rs rs... Eu acho ele bonzinho. Sabe o bonzinho? Então. Mala. Todo bonzinho, sei não...

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  8. MV falando de futebol só poderia mm chamar desgraça! rs
    O que me choca mesmo neste país furreca (mas q amo!) é que enqto Muricys, Cenis, Arrudas, etc. ganham horrores por pouca coisa, a patuleia se mata em guerras estúpidas nos arredores de estádios... Triste trópico assolado pelos raios UV...
    Em tempo: O Ceni não é apenas uma mala; ele é o próprio check-in!

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